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Temporalidades Históricas na prova de Humanas do ENEM

A ‘experiência’ é o passado atual, cujos eventos foram integrados e podem ser rememorados por uma elaboração racional e por comportamentos inconscientes”.  José Carlos Reis (Tempo, História e Evasão).

Embora o tempo seja uma categoria central em qualquer aula de História, poucos professores dão a devida atenção ao tema, mesmo ele sendo apresentado em destaque nos Parâmetros Curriculares da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias do ENEM. Costumo dizer aos meus alunos que, se eles quiserem acabar com a História, basta destruir o tempo e a experiência humana. A maioria dos estudantes tende a pensar que História é uma coisa do passado, sem qualquer relevância para a sua vida cotidiana. Aqui em HistoriAção procuro desconstruir essa noção equivocada.  A citação que abre este texto é de autoria do professor José Carlos Reis. Nela fica evidente a complexa dimensão do tempo histórico. Em primeiro lugar, sem a referência do passado o presente é incompreensível. Somos herdeiros de tradições políticas, econômicas e culturais construídas no passado, apropriadas e ressignificadas por nós no presente. Sem essas bases é impossível refletir sobre o presente que nos constitui e desafia constantemente. Em segundo lugar, quando você diz que um indivíduo tem muita “experiência” na verdade está fazendo referência ao conhecimento adquirido no passado, constantementeatualizado, utilizado para solucionar situações conflituosas no presente.

A disciplina de História no novo ENEM enfatiza a necessidade do desenvolvimento de uma competência fundamental: as temporalidades históricas e suas relações com as organizações sociais e seus conflitos. Tais relações acabam envolvendo toda a área de conhecimento de Ciências Humanas e suas Tecnologias, explorando as fronteiras entre História, Geografia, Filosofia e Sociologia. O tempo histórico é composto por rupturas,permanênciascontinuidadesdescontinuidades, mudanças e simultaneidades. Tudo isso ao mesmo tempo, sem que seja possível demarcar com exatidão o fim de um processo e o início de outro. Vejamos alguns exemplos. O patrimonialismo (utilização de espaços públicos para conquistar benefícios privados) é uma prática da administração portuguesa do período colonial (séculos XV ao XVIII). Porém, ele é uma permanência e uma continuidade percebida na cultura política brasileira até os dias atuais. Os casos de corrupção, tais como o julgamento do Mensalão, nos apresentam pessoas que utilizaram cargos públicos em benefício de seu próprio enriquecimento e favorecimento. Ou seja, trata-se do passado atualizado batendo todos os dias em nossas portas. Devido à importância e repercussão do tema existe uma grande possibilidade dele ser explorado na prova de Ciências Humanas e suas tecnologias no ENEM 2013. Cabe ao professor de História tomar um grande cuidado: não cometer anacronismos, ou seja, atribuir às organizações sociais do passado valores e características elaboradas no presente. Acusar a sociedade industrial inglesa de falta de consciência ambiental é um exemplo de anacronismo, pois a preocupação com a preservação do meio ambiente é característica das sociedades dos séculos XX e XXI, não estando presente nos problemas vivenciados pelos indivíduos do século XVIII. Como podem perceber, a competência de compreensão do tempo histórico é complexa, porém fundamental, sendo necessário cuidado e estratégias bem definidas para o seu desenvolvimento em sala de aula. E isto leva tempo, muito tempo. Em resumo, a perspectiva da temporalidade Histórica não se limita apenas à disciplina de História, devendo ser desenvolvida por todas as disciplinas do conjunto de Ciências Humanas e suas Tecnologias para abranger as competências e habilidades exigidas pelo ENEM. A fronteira em que essas disciplinas desenvolvem seus trabalhos favorece essa integração no desenvolvimento de um ensino mais significativo e atraente para alunos e professores.