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O atraso histórico na educação brasileira

O título deste post é uma cortesia de um twitte de@cnepomuceno.

A grande maioria dos educadores ainda não entendeu o que está acontecendo ao seu redor quando o assunto é tecnologia. Vejo todos os dias pessoas e grupos ligados à educação entrando no Facebook, no Twitter e no Youtube na pretensão de migrar para as plataformas digitais. No entanto, o que tenho verificado é que a grande maioria continua reproduzindo metodologias dos séculos XVIII e XIX, ou seja, centralizadas no material didático e na simples transmissão de conteúdo. Sustento o ponto de vista segundo o qual novas tecnologias demandam a construção de novas formas de comunicação e, por decorrência, novas formas de ensinar e aprender. Não se trata de uma fórmula mágica ou receita de bolo. O tema é muito mais complexo. Engana-se o educador que pretende encontrar uma solução pronta na internet. Minha curta experiência tem demonstrado que é preciso desenvolver uma aplicação específica para cada área do conhecimento a partir das ferramentas tecnológicas disponíveis.  E isso leva tempo, muito tempo de desenvolvimento, pois é preciso antes de tudo criar uma situação de aprendizagem significativa com os alunos, sob o risco de utilizar o suporte tecnológico apenas para justificar uma aula “mais dinâmica” e esvaziada de valor pedagógico. Faço minhas as palavras de Silvio Meira quando este fez sua apresentação no TEDx SP em 2009: “o problema é a execução imperfeita do desconhecido” em um ambiente de mudanças rápidas e constantes.

Além disso, a estrutura da educação brasileira é anacrônica. Os baixos salários levam o professor a dar muitas aulas por dia e assim ele não tem nenhum tempo de estudo, de criação, de letramento informacional e tecnológico, tornando-se tão somente uma máquina reprodutora de conteúdo, de preenchimento de diários, de correção de provas e de trabalhos copiados da internet. A continuar dessa maneira o setor educacional tende a ser um dos mais estagnados e pouco produtivos da sociedade brasileira, pois a peça central de todo o processo é o professor. As melhorias na educação tendem a ser números e estatísticas inventadas e maquiadas pelos governos para a nossa população. A participação do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) não me deixa mentir. Mesmo com alguns avanços na última década, os estudantes brasileiros não possuem habilidades fundantes nas disciplinas de português, matemática e ciências, o que lhes confere níveis educacionais semelhantes aos de países de precária institucionalização. A maioria dos alunos (tanto de escolas públicas quanto privadas) apresenta deficiências de aprendizagem em disciplinas estratégicas. A baixa absorção de conceitos científicos prejudica a inclusão desses indivíduos na sociedade atual, sendo necessário um complexo conjunto de ações para modificar um quadro formado por um exército de analfabetos funcionais.