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Mataram o Power Point e esqueceram a convergência das mídias

Outro dia eu estava em um congresso ansioso para assistir a uma mesa temática sobre mídia e educação. O responsável pela condução dos trabalhos apresentou uma ferramenta chamada Prezi e disse orgulhoso: É a morte do Power Point!!! Fiquei estupefato com aquela afirmação e pensei,  como assim? Ele morreu? Quem matou? Nós tínhamos uma excelente relação. Ele era tão bom para mim. Tá certo que muita gente não gosta dele. Mas, daí vir a matá-lo é muita crueldade. Pois é, a apresentação seguiu adiante e graças as minhas pesquisas sobre o tema percebi que se tratava de um grande equívoco por parte do palestrante. Eu explico o porque. Se você quer trabalhar com as mídias ou então quer entender a sua relação com elas tem que ler Cultura da Convergência, de Henry Jenkins. Sem ler não dá nem para iniciar a discussão. É básico. Pega e lê. Um equívoco de tamanha grandeza é inadmissível, mesmo porque o autor da afirmação era dono de uma agência de publicidade. Aí eu pergunto. Por quê não chamaram alguém da área de educação com pesquisa desenvolvida para falar sobre o tema. Vai entender!

Gente, uma mídia não mata a outra. As mídias estão em profundo e constante processo de convergência. Elas coexistem e se complementam, uma vez que cada mídia explora uma linguagem que lhe é peculiar. O Power Point nada mais é do que uma eficaz ferramenta de expressão de ideias. As ideias não estão no Power Point, mas sim na cabeça do autor da apresentação. Independente da mídia, cabe ao indivíduo a gestão e organização das informações que ele pretende expor. Além disso, a ferramenta que o responsável pela mesa temática apresentava, o prezi, nada mais era do que o resultado de uma convergência entre o Power Point e os programas geradores de Mapas Conceituais, ou seja, uma mídia contida na outra. O prezi seduz pelos seus efeitos visuais, giros de 360 graus, seguidos de um zoom, que faz a plateia visualmente feliz. Entretanto, um público mais exigente não está preocupado com os efeitos visuais, mas com a qualidade das informações apresentadas.

E por falar em convergência das mídias, olha o exemplo da Folha de São Paulo, que eu gosto muito de citar.   O jornal possui a versão impressa e a versão online. A versão impressa remete à versão online, que por sua vez, possui matérias exclusivas. A versão impressa trás limites na exploração da linguagem. No entanto, no site do jornal todo o potencial de outras mídias é devidamente explorado, com podcasts (arquivos de áudio), videocasts, blogs, integração com o twitter, facebook, Orkut e outras mídias sociais, fotos e vídeos produzidos pelos leitores por meio de seus próprios dispositivos móveis, material interativo no site, matérias mais lidas da semana pelos internautas, etc. Ou seja, as novas mídias não “mataram” as mídias tradicionais. As mídias tradicionais não morrem, mas são ressignificadas. A versão online não sepultou o jornal impresso. Pelo contrário, as novas e as velhas mídias convergem e coexistem. Esta metodologia de trabalho faz com que o leitor do jornal tenha uma experiência de imersão no mundo da notícia, não se limitando a uma perspectiva passiva. O leitor se integra ao universo do jornal, fazendo com que a experiência seja única. O ponto central é que todas as ações tem uma proposta básica, qual seja: estimular a busca de outras experiências com o conteúdo.

Por favor, quando vocês encontrarem os assassinos, peçam para que eles leiam Cultura da Convergência, de Henry Jenkins. Coitado do Power Point, do livro impresso, da televisão, do rádio. Se continuar assim, vão matar tudo o que eu gosto.