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Redenção de Cam. Autoria de Modesto Brocos. A imagem tenta retratar o Brasil em processo de branqueamento.

A partir da segunda metade do século XIX começavam a surgir teorias científicas que buscavam explicar as diferenças sociais por meio de um discurso científico. Tratava-se do Darwinismo Social. Originária do continente europeu, esta teoria enfatizava a necessidade de levar a inteligência, a sagacidade e a superioridade da Europa aos demais povos do planeta, considerados atrasados por não possuírem habitantes brancos. De acordo com esta teoria, o Brasil era um país com o desenvolvimento econômico, político e social inviável, uma vez que sua população era mestiça, misturada e degenerada.

Uma das soluções propostas foi a política de branqueamento dos povos inferiores. Esta proposta consistia em introduzir brancos europeus entre os habitantes mestiços. Nesse processo de mistura, predominaria a herança da raça superior. É nesse contexto de discurso científico que a imigração europeia toma fôlego no Brasil império, por volta de 1870. A imagem que sintetiza estes argumentos, intitulada a Redenção de Cam, é de autoria de Modesto Broccos. Trata-se de uma reconstrução por meio de imagens, dos argumentos e perspectivas dessa política de branqueamento. Na imagem, o Brasil é descrito como uma nação composta por raças miscigenadas, porém em transição. Os mestiços, passando por um rápido e acelerado processo de cruzamento e depuração mediante uma seleção natural, levariam a supor que o Brasil seria, algum dia, totalmente branco.

É também no século XIX que surge a eugenia, teoria que busca produzir uma seleção nas coletividades humanas, baseada em leis genéticas. Essa doutrina objetivava estudar e selecionar os elementos que pudessem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. A Alemanha nazista levou essas teorias até as últimas consequências, eliminando não apenas judeus, homossexuais, prostitutas e ciganos, mas, inclusive, alemães com alguma deficiência física ou mental. Os judeus foram as vítimas preferenciais, servindo como cobaias para os experimentos biológicos dos médicos nazistas.

Holocausto

Após o massacre de cerca de 6 milhões de judeus durante a 2ª guerra mundial, essas teorias entraram em desuso. Recentemente o filme Gattaca, experiência genética, de 1997, baseou-se nessas ideias para construir seu roteiro.

Fonte de pesquisa: SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças; cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das letras, 2001.